quarta-feira, 1 de julho de 2009

Acanthurus bariene & Chromis viridis

Passados 6 meses e meio e com apenas 4 peixes no aquário, decidi que estava na altura de aumentar a Fauna, não só para haver diversidade e interacção entre os peixes mas também porque os corais assim o exigiam. Confesso que sou um pouco esquisito com os peixes e por isso andei a pesquisar durante algum tempo qual seria a próxima aquisição. Seguramente teria de ser um peixe de grande porte para poder interagir com o meu A. tennenti. Depois de ver várias espécies de cirurgiões em vários sites, reduzi a minha escolha a dois lindos peixes, sendo um deles o Acanthurus bariene. Soube que estava um A. bariene à venda numa loja em Lisboa e não hesitei.

O peixe, apesar de activo, em boa forma física e com bastante apetite vinha com o que se chama de " Black ictio" que se traduz por pontos negros por todo o corpo derivado a uma reacção alérgica causada por parasitas dérmicos. Não é nada de grave principalmente se o peixe tiver os indícios que referi anteriormente ( vivaço, boa forma física e apetite). Além disso, já tinha passado por isso também com o A. tenneti que acabou por recuperar derivado a boa alimentação , bons parâmetros da água e uma eficiente equipa de limpeza. Assim sendo, decidi trazer o peixe. Atenção: isto foi um caso excepcional pois cada situação é diferente e é preciso avaliá-las independentemente. Logo, não aconselho os leitores a fazerem o mesmo com os peixes que pretendem comprar sem terem a certeza absoluta do que estão a fazer e se estão preparados para as consequências desses actos. Um peixe doente ou infestado de parasitas introduzido no aquário pode comprometer o mesmo a todos os níveis.



Já no aquário, houve desconfiança e euforismo por parte do A. tennenti durante breves momentos. A aclimatização foi feita com calma quer pelos parâmetros da água, quer pelo contacto visual entre os dois peixes. É importante que isto aconteça de modo a que a introdução do novo peixe seja o mais subtil e sem stress possível. Um peixe que já está stressado por vir num saco com um punhado de água e de se encontrar num ambiente completamente desconhecido não precisa de mais stress causado pelos residentes mais antigos do aquário. Ainda assim, é sempre inevitável uma medição de forças quando os dois gigantes se cruzam. Afinal de contas, são ambos cirurgiões.







Apesar do " show-off", a introdução do novo inquilino foi bastante feliz e sem qualquer complicação. Apesar do A. mata ter maior envergadura do que o A. tennenti ( ou até por essa razão), é um peixe sossegado e paxorrento que gosta de cruzar o aquário de um lado ao outro e pastar na rocha e vidros à procura das sempre presente micro-algas. Ainda assim, o A. tennenti, como qualquer cirurgião residente mais antigo, não se faz rogado com a sua menor envergadura mas confiança no topo quando acha que o novo inquilino deve ser mantido na ordem. Mais uma vez, tudo não passa de " show-off" e da interacção que estes peixes criam entre si. O peixe encontra-se no aquário há 2 semanas já perfeitamente ambientado, a comer de tudo e à mão ,bem como a recuperar muito bem dos pontos negros.




Entretanto, hoje foi o dia em que dois dos três Chromis viridis parearam, acabando por realizar uma postura no aquário, mais propriamente na rack dos frags de corais. Há já algum tempo que sabia ter dois machos e uma fêmea desta espécie mas os machos ainda não se tinham decidido qual deles seria o macho dominante que teria direito a acasalar com a fêmea. As disputas pela dominação e direito à reprodução tinham-se vindo a acentuar de dia para dia...





Hoje, finalmente, encontrou-se um vencedor que acabou por parear com a fêmea. Esta, por sua vez, consolidou o acto atormentando o vencido mais um pouco. Depois desse acto confirmativo, chegou a altura de iniciar o ritual de acasalamento. As danças entre macho e fêmea através de exibições mútuas deram lugar à limpeza de um local específico, local esse onde iriam ser depositados os ovos. Concluída a limpeza, a postura dos ovos por parte da fêmea e a consequente fertilização por parte do macho tomou lugar.







Durante sensivelmente uma hora, macho e fêmea foram incansáveis na deposição e fertilização dos pequeno ovos que foram espalhados por toda a plataforma que suporta os frags de corais. Não havendo grande superfície para a deposição destes, tudo o que estava naquele espaço serviu de substracto e nem mesmo as bases dos corais foram poupadas. Toda aquela zona ficou literalmente minada de ovos.















Os ovos são muito pequenos, mais pequenos que os Pods e Copépodes que andam pelos vidros, rocha e areia. Pelas informações que recolhi, os mesmos demoram 3-7 dias a eclodir, consoante a temperatura. Apesar da probabilidade ser mínima, pretendo remover a rack coberta de ovos e tentar fazer com que os ovos eclodam e as larvas se desenvolvam até à maturidade. Faltam-me alguns recursos que pretendo adquirir nos próximos dias. O resto é prática, conhecimento e sorte, apesar de estar em baixo nos dois primeiros. Ainda assim, sempre é melhor do que não fazer nada, o que implica as larvas virarem comida de peixe, de corais ou serem mortas pelo escumador.




2 comentários:

DaniReef disse...

Great pictures! And over all... great Acanthurus mata... I like it very much.

Danilo
www.DaniReef.com

Rick Goettel disse...

Great pictures, it's amazing your Chromis spawned!